Pular para o conteúdo principal

Expo: Flávio de Carvalho Desveste a Moda Brasileira da Cabeça aos Pés


Artista múltiplo (arquiteto, desenhista, pintor, escritor) Flávio de Carvalho é mais conhecido pelo grande público pela polêmica Série Trágica em que retratou, por meio de desenhos, a agonia de sua mãe no leito de morte.
Flávio, entretanto, também se dedicou a pensar a moda de um forma bastante peculiar numa série de estudos publicados, entre março e outubro de 1956, pelo jornal Diário de São Paulo, intitulada A Moda e o Novo Homem. Estudos estes que, no dia 18 de outubro do mesmo ano, culminaram, com a chamada Experiência n° 3, "arroubo" estilístico de Flávio que percorreu as ruas do centro da capital paulista vestindo o que ele propunha ser uma vestimenta mais adequada ao homem dos trópicos, batizada por ele de Traje de Verão (foto abaixo). Questionável o traje, inquestionável a arrojada postura do polêmico artista e pensador.


Flávio de Carvalho, literalmente, causando no centro de Sampa em plena década de 50. It boy é isso aí!

Pós esta brevíssima introdução a esta emblemática figura(ça!), recomendo a vocês uma visita ao Mube para conferir a exposição Flávio de Carvalho Desveste a Moda Brasileira da Cabeça aos Pés. A mostra traz excertos dos textos mencionados acima - considerados por alguns estudiosos a primeira e única teoria de moda brasileira - ilustrados por imagens de moda produzidas nas últimas três décadas, no Brasil, por nomes como Bob Wolfenson, Jacques Dequeker, Klaus Mitteldorf, Thelma Vilas Boas, entre outros. Estive visitanto a mostra ontem e acredito que possa ser interessante para qualquer pessoa que goste de fotografia, pois ali encontrará belíssimas imagens. Quanto aos textos de Flávio, são por vezes complexos e suscitam reflexões interessantíssimas, mas para quem tem um maior interesse por moda e suas implicações sociais, culturais, antropológicas... Enquanto estava lá, pude notar que o público, digamos, "geral" acabava praticamente passando batido pelos textos, ou lia duas linhas e seguia adiante, alguns com aquela cara de "what-the-hell-he`s-talking-about?"
Tentei captar algumas imagens da exposição, mas sem poder usar flash e com a minha máquina mega profissional, o resultado não foi muito brilhante. De qualquer forma, compartilho com vocês as que deu pra salvar, rs.


Tentativa de fazer uma geral da expo. Flávio chamaria de Experiência n° X (e X=1235)

Um dos contundentes pensamentos de Flávio sobre o papel da moda nas civilizações.

"O homem do povo, o escravo ou o homem quase nu, o último da escala social é, está claro, o menos paramentado."




Que tal conferir pessoalmente? Lu Looker recomenda.

Onde? MUBE - Av Europa, 218 - Jd. Europa/ São Paulo - SP
Quando? De 3° a domingo das 10h as 19h. Até 14/11
Quanto? Entrada gratuita.


Dica da Lu: Já que você vai estar lá, vale conferir as outras exposições em cartaz no Museu, assistir a um dos concertos no auditório ou tomar um cafezinho. Aos domingos rola, na área externa do museu, uma "feirinha" de esculturas, achei super fino, pena que estava com o orçamento compromito e não pude fazer nenhuma aquisição. Ficou para a próxima.




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Diário de Punta ??!!

Boa noite inúmeros!Sentei-me aqui nesta noite de domingão disposta a dar início, como prometido, à série Diários de Punta, na qual pretendia compartilhar com vocês algumas experiências vividas por mim em recente viagem de férias à cidade de Punta del Este no Uruguai. Porém, todavia, entretanto, pensando melhor, cheguei a conclusão de que seria desnecessário tendo em vista que isto aqui não é um guia de viagens, além do mais, um diário só teria sentido se tivesse sido escrito em tempo real e in loco . Sendo assim, já que meu objetivo é tão somente dividir as minha impressões sobre a cidade, resolvi fazer um post no melhor estilo "Amar é...", então lá vai o que, para mim, Punta é...: - Punta é jogar US$ 20,00 no cassino, ganhar US$ 56,00 e ficar emocionadíssima com seu baldinho de moedas se sentindo a pessoa mais sortuda do mundo. - Punta é ficar p da vida por pagar o equivalente a R$ 50,00 por um café da manhã numa padaria. - Punta é estar de biquíni na praia tomando o maior s...

Um mês de treino - A saga continua.

E eis que, na semana passada, chegamos à nossa quarta semana de treino. Sim! Completamos um mês do nosso grupo de corrida. Parabéns para a gente, nessa data querid... Tá certo, ainda é um pouco cedo para comemorações muito efusivas. Não sei qual é o tempo, cientificamente falando, pelo qual temos que praticar alguma atividade para que ela passe a ser considerada um hábito. Talvez ainda estejamos apenas vivenciando a empolgação inicial. Fato é que já sentimos progressos e o mais legal de tudo – pelo menos no meu caso – é que já consigo sentir algum prazer durante a corrida, que antes não passava de pura tortura.  Um prazer pequeno, é verdade (nada de orgasmos múltiplos esportivos). Ainda falta o fôlego, ainda dói um tiquinho aqui e ali, ainda dá vontade de sentar quando passo perto de um banco no parque... mas a   hashtag   #voumorreragora já não é trending topic na minha cabeça durante todo o percurso. E para comemorar nosso primeiro mês como um grupo de...

La vie en rose - Capítulo I

Creio que é algo bem comum, ao voltarmos de uma viagem que curtimos muito levamos um certo tempo até desapegar, até conseguir voltar a real realidade da nossa vida cotidiana. Então, sem constrangimento, admito viver uma certa depressão pós momentos la vie en rose vividos no curto espaço de oito dias passados em Paris. Confesso que ainda não havia dado tempo de sentir saudades da minha rotina paulistana quando chegou a hora de voltar. Mas, como a vida não é novela das nove, aproveito esta última tarde de preguicinha para compartilhar com vocês algumas observações e fatos sobre a cidade luz sob a ótica de uma brasileira de primeira viagem. Feito isto, buscarei, no âmago mais profundo do meu ser, forças para retomar o dia-a-dia glamour zero, com plus de TPM que é para ser a cereja do bolo. - Primeiro mito quebrado: "se você não falar francês, será maltratada, os franceses detestam que falem em inglês" Olha, a não ser que eu tenha dado, assim, uma sorte colossal de Deus ...