Pular para o conteúdo principal

Reviravoltas


Sempre penso que na minha vida para as coisas acontecerem tem que ser de uma vez, de sopetão, de chofre (para usar uma expressão da qual gosto). Não tenho paciência ou, para ser bem sincera, não acredito na eficácia do "água mole em pedra dura, tanto bate até que fura".
Quando há algo me incomodando, ou se acho que tenho que mudar o rumo que as coisas tomaram quero resolver tudo ontem e, para isso, fico a espera - ou corro atrás - de algum fato extradiordinário e forte que me transporte do ponto A ao D sem necessariamente ter que passar pelo B e C... E tudo piora se ouço histórias ou converso com pessoas que passaram por este tipo de mudança radical. Logo penso " se aconteceu a fulano, porque comigo tem que ser tão diferente?". Como se o meu vizinho tivesse um Porsche que acelera de 0 a 100 em 8 segundos e eu tivesse que me contentar com um Fiat 147 que faz o mesmo em 80 minutos...
Isso tem um nome, ansiedade, e claro que meu lado mais racional sabe muito bem que a vida não é bem assim, conheço o peso da paciência, da perseverança e da disciplina nas conquistas individuais e coletivas. Mas, no fundo, bem lá no fundinho sonho com varinhas mágicas.
Me lembro de ter esta sensação desde criança, mas confesso que ela tem se acentuado, e muito, ultimamente. Claro. Já não sou mais uma adolescente e o tempo me parece cada vez mais curto para corrigir os erros e atingir as metas, os sonhos, ou mesmo algumas simples conquistas que desejei para mim.
Como não faço parte de nenhum enredo de novela das nove e acho difícil aparecer uma fada madrinha no meu jardim, gostaria muito, muito mesmo que Freud, Jung ou o Dr Castanho explicassem como freio esta sensação de urgência, de esperar uma reviravolta em cada esquina.
Deve ser bom fazer algo e simplesmente crer que virá um resultado sem importar quando. Uma certeza sem afobamento. Certeza que me lembro de ter desfrutado poucas vezes em minha vida.
Não quero fazer do Água um divã, tenho horror a esta idéia, mas às vezes escorrego... Peço que me desculpem por mais esta post egotrípico, mas vivendo uma das fases mais ansiosas de minha breve e gloriosa existência, não pude evitar.
Desejo um excelente semana a todos nós.
Amém.

Comentários

Lélia Campos disse…
Como te entendo Lú, tb sonho com varinhas mágicas quase todas as noites... rs...

Postagens mais visitadas deste blog

Diário de Punta ??!!

Boa noite inúmeros!Sentei-me aqui nesta noite de domingão disposta a dar início, como prometido, à série Diários de Punta, na qual pretendia compartilhar com vocês algumas experiências vividas por mim em recente viagem de férias à cidade de Punta del Este no Uruguai. Porém, todavia, entretanto, pensando melhor, cheguei a conclusão de que seria desnecessário tendo em vista que isto aqui não é um guia de viagens, além do mais, um diário só teria sentido se tivesse sido escrito em tempo real e in loco . Sendo assim, já que meu objetivo é tão somente dividir as minha impressões sobre a cidade, resolvi fazer um post no melhor estilo "Amar é...", então lá vai o que, para mim, Punta é...: - Punta é jogar US$ 20,00 no cassino, ganhar US$ 56,00 e ficar emocionadíssima com seu baldinho de moedas se sentindo a pessoa mais sortuda do mundo. - Punta é ficar p da vida por pagar o equivalente a R$ 50,00 por um café da manhã numa padaria. - Punta é estar de biquíni na praia tomando o maior s...

Um mês de treino - A saga continua.

E eis que, na semana passada, chegamos à nossa quarta semana de treino. Sim! Completamos um mês do nosso grupo de corrida. Parabéns para a gente, nessa data querid... Tá certo, ainda é um pouco cedo para comemorações muito efusivas. Não sei qual é o tempo, cientificamente falando, pelo qual temos que praticar alguma atividade para que ela passe a ser considerada um hábito. Talvez ainda estejamos apenas vivenciando a empolgação inicial. Fato é que já sentimos progressos e o mais legal de tudo – pelo menos no meu caso – é que já consigo sentir algum prazer durante a corrida, que antes não passava de pura tortura.  Um prazer pequeno, é verdade (nada de orgasmos múltiplos esportivos). Ainda falta o fôlego, ainda dói um tiquinho aqui e ali, ainda dá vontade de sentar quando passo perto de um banco no parque... mas a   hashtag   #voumorreragora já não é trending topic na minha cabeça durante todo o percurso. E para comemorar nosso primeiro mês como um grupo de...

La vie en rose - Capítulo I

Creio que é algo bem comum, ao voltarmos de uma viagem que curtimos muito levamos um certo tempo até desapegar, até conseguir voltar a real realidade da nossa vida cotidiana. Então, sem constrangimento, admito viver uma certa depressão pós momentos la vie en rose vividos no curto espaço de oito dias passados em Paris. Confesso que ainda não havia dado tempo de sentir saudades da minha rotina paulistana quando chegou a hora de voltar. Mas, como a vida não é novela das nove, aproveito esta última tarde de preguicinha para compartilhar com vocês algumas observações e fatos sobre a cidade luz sob a ótica de uma brasileira de primeira viagem. Feito isto, buscarei, no âmago mais profundo do meu ser, forças para retomar o dia-a-dia glamour zero, com plus de TPM que é para ser a cereja do bolo. - Primeiro mito quebrado: "se você não falar francês, será maltratada, os franceses detestam que falem em inglês" Olha, a não ser que eu tenha dado, assim, uma sorte colossal de Deus ...